Apesar de discurso pró-inclusão, pessoas com deficiência representam menos de 3% do mercado de trabalho do país

Apesar de discurso pró-inclusão, pessoas com deficiência representam menos de 3% do mercado de trabalho do país

Um novo estudo sobre o mercado de trabalho brasileiro demonstra que, mesmo com a crescente defesa da diversidade e inclusão adotada pelas corporações do país, o ambiente profissional está longe de ser representativo da população. Realizada entre 2019 e 2021 com mais de 26.000 profissionais –entre eles, executivos seniores, gerentes e estagiários—, a pesquisa “Diversidade, Representatividade & Percepção – Censo Multissetorial da Gestão Kairós’ escancara a profunda desigualdade que ainda predomina em organizações públicas e privadas brasileiras quando o assunto  é emprego.

De acordo com a sondagem, homens héteros brancos e sem deficiência ocupam a maioria dos postos de trabalho: 68% dos funcionários são do sexo masculino; 64%, brancos; 94,6%, heterossexuais; 99,6%, cisgênero; e 97,3%, sem deficiência. E, embora 84% dos entrevistados declararem que seus empregadores valorizam a diversidade de gênero, o levantamento revela que somente 32% da força de trabalho são mulheres –percentual que cai para 8,9% quando se trata de mulheres negras.

Segundo a mais recente Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do Ministério da Saúde, divulgada em 2021, entre os cerca de 214 milhões de brasileiros, há 17 milhões de pessoas com deficiência. E dados do IBGE e da PNAD Contínua indicam que 54% dos habitantes são negros; as mulheres representam 51,8%. “Mesmo empresas que atuam com seriedade para implementar práticas de diversidade e inclusão, que fazem a ‘lição de casa’, com diagnósticos, metas e indicadores, não conseguem representar a demografia da sociedade brasileira nos quadros funcionais, principalmente na liderança. O mercado de trabalho permanece desigual quando se trata de contratar mulheres, mulheres negras, LGBTQIA+, pessoas com deficiência, pessoas com 50 anos ou mais”, diz Liliane Rocha, fundadora e CEO da Gestão Kairós.

Para a CEO, a única forma de fazer essa mudança em um curto período de tempo é por meio de ações afirmativas. “Olhar a diversidade, querer trazê-la para dentro da empresa e realmente trazer. As empresas não podem continuar se apoiando na justificativa de que ainda estão no início da jornada, de que não têm informação, de que não sabem como valorizar a diversidade. Já passamos dessa fase. Agora, precisamos agir. É trabalhoso e demanda tempo, mas é necessário começar hoje”, alerta. Fonte: Blog Vencer Limite/Estadão

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