Suicídio: campanhas de conscientização e de esperança podem ajudar a salvar vidas

Suicídio: campanhas de conscientização e de esperança podem ajudar a salvar vidas

Por Thaís C. Marques dos Reis*

                                                                                        

Estivemos recentemente em campanha do “Setembro Amarelo”. Afinal, o que é isso? Setembro Amarelo é uma campanha realizada no Brasil desde o ano de 2014, iniciativa da Associação Brasileira de Psiquiatria em parceria com o Conselho Federal de Medicina, que tem por objetivo a prevenção de suicídios. Por que é necessária uma campanha como esta?

O suicídio é um grave problema de saúde pública. Segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde, no mundo todo, mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano e, para cada suicídio ocorrido, há mais de 20 tentativas de suicídio. É atualmente a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. No Brasil, a taxa de suicídios é de 6,9 para cada 100 mil habitantes. Sabe-se que todos estes números relacionados aos suicídios são subestimados, porque são baseados no assinalamento oficial da causa de morte. No entanto, muitas mortes resultantes de envenenamentos, atropelamentos, acidentes automobilísticos, entre outras, podem ser causadas por intenção suicida sem que esta intenção fique clara a outras pessoas.

Estima-se ainda que cada suicídio afeta gravemente a saúde mental de mais dez pessoas. Ou seja, ainda que alguém nunca tenha tido ideias de tirar a própria vida, ela pode ser diretamente afetada pelo suicídio de uma pessoa próxima.

Diante deste cenário, ficam evidentes a importância do “Setembro Amarelo” e a necessidade de nos conscientizarmos e conversarmos sobre a temática do suicídio, de nos empenharmos pessoalmente em colaborar para reduzir esta finalização trágica da vida de tantas pessoas. Para isto, precisamos compreender por que isso ocorre e também saber como ajudar pessoas que estejam pensando em suicídio.

Por que as pessoas decidem acabar com a própria vida? 

Não há uma resposta simples para este questionamento, e não há um fator único que leve uma pessoa a tal ato. Considera-se que seja uma interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos, sócio-culturais. Chamamos de fatores biológicos aqueles referentes ao próprio corpo da pessoa. Por exemplo, há risco aumentado de suicídio naquelas pessoas que têm uma doença física incapacitante ou que cause dor intensa. Nos fatores psicológicos, podemos inserir as doenças mentais e as características de personalidade que podem aumentar o risco de suicídio, como depressão e abuso de drogas lícitas e ilícitas. E nos fatores sócio-culturais, podemos pensar em situações que predispõem as pessoas a pensar em morrer, como desemprego, ser vítima de abuso físico ou sexual, e em aspectos culturais que podem valorizar o suicídio como prática desejável ou honrada diante de situações específicas, como por exemplo o caso dos homens-bomba que se matam em prol de uma causa religiosa.

E o que cada um de nós pode fazer para colaborar com a redução do número de suicídios?

Em primeiro lugar, manter uma atitude empática, acolhedora e sem julgamentos com as pessoas com quem nos relacionamos, bem como ouvir as pessoas mais do que falar, e dar a nossa própria opinião a respeito da vida delas pode colaborar – e muito – para reduzir desconfortos que levam as pessoas a pensarem em suicídio. Pode ajudar, também, saber que conversar sobre suicídio não aumentará a probabilidade do ato. Ao contrário, falar sobre o assunto ajuda a quebrar o tabu que ronda a temática do suicídio.

Se uma pessoa confidenciar a você que tem tido pensamentos suicidas, não a julgue, mas a ajude a buscar ajuda com um (a) profissional da saúde mental, psiquiatra ou psicólogo (a). Também pode ser útil restringir o acesso desta pessoa a meios com os quais possa colocar a própria vida em risco – por exemplo, retirar objetos cortantes, medicações, venenos e armas de fogo do alcance dela. 

E caso a pessoa que esteja pensando em suicídio seja você mesmo (a), ou se você perdeu uma pessoa próxima decorrente de suicídio, procure alguém com quem conversar, peça ajuda a pessoas acolhedoras próximas e procure um (a) psicólogo (a) ou psiquiatra. Há esperança, uma vez que momentos difíceis podem ser superados, desde que recebam a devida atenção. 

*Thaís C. Marques dos Reis é psicóloga da Unidade Clínica da Ame (CDH)

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